Ave mundi spes Christe

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O natal, nosso 25 de dezembro, além de se celebrar a troca de presentes e o consumo sem limites, também é uma data cristã, ou melhor, uma data que foi cristianizada, lá nos primeiros séculos de nossa era. Para nós, os cristãos, esse dia evoca muito mais do que o nascimento de Deus, evoca o nascimento de uma nova humanidade, o nascimento da esperança.

A Luz que ilumina toda a humanidade não se revela pela força, mas pela fraqueza, ela nasce entre os animais num estábulo; não faz atos extraordinários e grandiosos, pelo contrário, precisa ser alimentado pela mãe, precisa do cuidado do pai, precisa ser limpo, porque como toda a criança, também enche as fraldas. Enfim, é uma criança, tal como nós também fomos. Sim, esse é o grande escândalo, Deus se encarnou, Ele se tornou um ser humano! A esperança vem de uma manjedoura, da fragilidade, de alguém semelhante a nós.

Meu voto e pedido de natal são os mesmo que moveram as mãos, os pés e o coração do Cristo: a força tirada da fragilidade e vinda da esperança que pode transformar o mundo em um lugar melhor.

Nada expressa mais meu sentimento e minha vontade do que a introdução do livro A violência do amor (La violencia del amor) do dom Oscar Romero, arcebispo de São Salvador, que por sua militância pelos direitos humanos e por sua posição contrária o regime autoritário e violento do país, foi assassinado durante a celebração de uma missa. Diz o nosso autor:

“Jamais temos pregado violência.

Somente a violência do amor,

a que deixou Cristo cravado numa cruz,

a que faz cada um vencer seu egoísmo

e para que não haja desigualdades

tão cruéis entre nós.

Essa violência não é da espada,

a do ódio.

É a violência do amor,

a da fraternidade,

a que quer converter as armas

em foices para o trabalho.” [1]

Oscar Romero, 27 de novembro de 1977

O nascimento do Cristo é o nascimento da esperança, pois ele deu sua graça a todos, por isso podemos ter esperanças e força para mudar o mundo injusto e cruel num mundo cheio de beleza e bom, ou como diz Cartola em seu samba A cor da Esperança:

 

“Amanhã a tristeza vai transformar-se em alegria,

E o sol vai brilhar no céu de um novo dia,

Vamos sair pelas ruas, pelas ruas da cidade,

Peito aberto,

Cara ao sol da felicidade.

E no canto de amor assim,

Sempre vão surgir em mim, novas fantasias,

Sinto vibrando no ar,

E sei que não é vã, a cor da esperança,

A esperança do amanhã.”


[1] “Jamás hemos predicado violencia./Solamente la violencia del amor,/la que dejó a Cristo clavado en una cruz,/ la que se hace cada uno para vencer sus egoísmos/ y para que no haya desigualdades/ tan crueles entre nosotros./Esa violencia no es la de la espada,/ la del odio./Es la violencia del amor,/ la de la fraternidad,/la que quiere convertir las armas/ en hoces para el trabajo.” Para o download deste livro do Oscar Romero – http://servicioskoinonia.org/biblioteca/pastoral/RomeroBrokmanViolenciaDelAmor.pdf

A foto foi tirada do meu ícone da Theotókos.